
Quem trabalha na área de tecnologia da informação, seja como técnico, administrador de redes, analista ou programador, sabe muito bem quanto um diploma universitário pesa na qualidade do profissional, ou seja, quase nada. Só não disse “nada” porque conheço alguns bons profissionais que vieram de formação acadêmica. Mas mesmo esses, apesar de diplomados, são unânimes em afirmar que a universidade está longe de formar profissionais completamente por si só. Não quis dizer que a universidade não tem seu valor, mas sim questionar a afirmação de que podemos nos basear por esse requisito para avaliar o conhecimento e competência de uma pessoa. Eu, como muitos profissionais de tecnologia, sou da turma dos autodidatas. Consegui ingressar ao mercado de informática como programador graças a legítimas demonstrações de competência e conhecimento, oriundas de anos de estudos, leituras e pesquisas, já que não podia me amparar por um diploma. Você deve estar se perguntando agora: qual o motivo da minha revolta?
Aprovado parecer que regulamenta as profissões de analista de sistemas e técnico de informática
Saiu na adadigital a chamada acima. Não é a primeira vez que algo desse sentido ameaça aparecer.
A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) aprovou, nesta quarta-feira (5), parecer favorável do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao projeto de lei que regulamenta o exercício das profissões de analista de sistemas e técnico de informática.
Para tornar mais claro: se esse projeto de lei vingar, somente quem possuir formação acadêmica em Análise de Sistemas, Ciência da Computação ou Processamento de Dados poderá exercer a profissão de Analista de Sistemas. Já para ser Técnico em informática precisará comprovar diploma de ensino médio ou equivalente de curso técnico de Informática ou de Programação de Computadores. Azeredo ainda arremata com a seguinte frase:
“É desse profissional que se espera o cumprimento de normas éticas e a colaboração efetiva para que haja segurança nas comunicações e o respeito às normas legais, civis e criminais aplicáveis à atividade”
O que me causa mais estranheza é saber que o Ilmo Sr. Eduardo Azeredo, formado em engenharia, atuou em várias empresas pelo segmento de informática, entre elas a IBM. Me pergunto novamente: já que para trabalhar com informática teremos que comprovar diploma, por que para ser político não deveria ser obrigatório comprovar diploma no ramo de ciências sociais e políticas? Será que para ser político não precisaria de formação acadêmica para “cumprir as normas éticas” e para que “haja segurança nas comunicações e o respeito às normas legais, civis e criminais aplicáveis à atividade”? Ou será que não existem essas prerrogativas em política (pareço irônico aqui?). Fiquem a vontade para opinar.
março 6th, 2008 at 10:16 am
Outra forma de nos tirar dinheiro e criar leis sem pé nem cabeça.
Porque não há um lei que obrigue as empresas de fornecer a velocidade de banda larga que compramos e pagamos… sem esse papo de 10% e coisa parecida.
Porque não ligar pra essas empresas e dizer, já que minha velocidade não passou dos 10% que comprei, irei pagar somente 10% da mensalidade.
março 6th, 2008 at 11:28 am
Eu tenho uma profissão regulamentada, Engenheiro Eletricista. Na prática isso nunca serviu para nada além de pagar uma taxa anual para o CREA sem nenhum tipo de retorno para mim ou para minha classe, já que trabalho na área de software.
Do jeito que está o mercado, na prática o que irá acontecer é surgir novas profissões em carteira, assim quem tem uma determinado cargo e este for regulamentado e o cara não tiver diploma terá o carfo na carteira alterado e apenas isso.
março 6th, 2008 at 2:29 pm
Pior é que os cursos bons da área de TI são caríssimos. Eu mesmo só consegui começar a minha faculdade depois de entrar na área e conseguir um salário compatível. Se fosse exigido diploma para entrar na área jamais eu teria entrado, pois com salário de estagiário não se paga nem a condução.
março 10th, 2008 at 2:25 pm
Ao invés de se criar tantas barreiras deveriámos fazer mais para que a informação fosse de boa qualidade e acessível fiz curso técnico e péssimo, ainda paguei por ele, então ao invés de vomitar diplomas, sem exageros, a qualidade e o interesse e ampliar espaços para que o conhecimento, desse reconhecimento e salários não diplomas em escolas só interessadas em muitas vezes aumentar lucros abrindo novos cursos sem nenhuma ou pouquissíma qualidade aí haja banalidade de profissionais.
março 10th, 2008 at 2:57 pm
O principal problema, em minha opinião, é que ao exigir o diploma estarão exigindo algo que, por si, não representa nada, não é prova de nada e não vale nada. Ninguem sai formado de uma faculdade ou curso que seja. Todo mundo aprende trabalhando ou estagiando, que seja. E universidade no Brasil não da pra estagiário pagar, só por isso estaríamos discriminando muita gente que teria que ingressar no mercado de trabalho antes de conseguir um salário que pague a fortuna que é um curso superior por aqui.
O que me revolta mais é saber que o idiota que fez esse projeto de lei é engenheiro. Deveria ser economista, pois quem sabe assim saberia que o mercado é quem deveria exigir que tipo de profissional deve ser contratado. Se uma empresa contrata mal, ela quebra, se contrata bem, fica bem. É simples. Não me venha querer injetar regras idiotas em algo que funciona bem naturalmente.
março 11th, 2008 at 2:04 pm
Além do que já foi dito pelos colegas, esse projeto demonstra ainda total falta de conhecimento, visto que exclui da lista o Bacharelado em Sistemas de Informação, que hoje é o curso que estuda de maneira mais abrangente a concepção e desenvolvimento de sistemas, abordando inclusive disciplinas importantes para que eles sejam bem adequados ao meio.
Cristiano Galvão
Analista de Sistemas
http://www.galvao.pro.br
março 12th, 2008 at 2:56 pm
Colegas, creio que não podemos ficar apenas contra o projeto. Há pontos a serem melhorados, mas deixar o mercado à mercê da falta de regulamentação é complicado. Que tal entrarem em contato com seus senadores e exporem seus pontos de vista?
março 12th, 2008 at 3:42 pm
Cid, o único ponto a ser melhorado é que o projeto deve ser arquivado e esquecido. Cite alguns países onde a profissão segue um projeto igual ou parecido a esse, e que ficou demonstrado que houve melhora. E me diga também, quem precisa se proteger de maus profissionais? O grau de qualidade dos profissionais segue a exigência do mercado. Aquele comércio de esquina que não tem dinheiro para pagar uma fortuna em um SAP vai comprar o PDV de 10 conto, feito por um adolescente na madrugada, porque é o que ele pode pagar. Com esse novo projeto estamos decretando a eletização da TI no Brasil, pois corre se o risco do valor do software aumentar devido a falta de concorrência e os pequenos e micro empressários não terão como arcar com os custos de uma automação. E ai, como fica? Estaríamos então decretando uma espécie de “desinclusão tecnológica”? Freando o progresso? Esse tipo de intervenção deve ser feito com muito cuidado (leia-se “não deve ser feita”).
abril 10th, 2008 at 10:36 am
Vocês estão querendo a não regulamentação? Será que vocês não estão sendo imparciais?? E se isso vingar vai ser para os novos profissionais, pois quem já atua teria o direito de continuar…Acordem pra Jesus….É justo um cara que estuda 5 anos pra se formar, ter seu salário nivelado por baixo por conta da não regulamentação? Se quer exercer sem fazer o superior, faça o técnico e pronto….E aqui pra nós, claro que existem excelentes profissionais que n são da área, mas dizer que n tem diferença???? aí é demais….
abril 10th, 2008 at 10:37 am
Vocês estão querendo a não regulamentação? Será que vocês não estão sendo imparciais?? E se isso vingar vai ser para os novos profissionais, pois quem já atua teria o direito de continuar…Acordem pra Jesus….É justo um cara que estuda 5 anos pra se formar, ter seu salário nivelado por baixo por conta da não regulamentação? Se quer exercer sem fazer o superior, faça o técnico e pronto….E aqui pra nós, claro que existem excelentes profissionais que n são da área, mas dizer que n tem diferença???? aí é demais….
abril 10th, 2008 at 10:55 am
Olá Fábio. Respeito sua opinião. Existem muitos argumentos a favor e contra a regulamentação. Eu cheguei a conclusão que os argumentos contra são melhores. Entre eles:
-Regulamentação vai capar o crescimento de TI no Brasil.
-Países com melhor qualidade na área de TI não tem esse tipo de regulamentação.
-Uma empresa quer contratar um empregado competente e não um diploma
- etc…etc…etc..
Abraço.
abril 10th, 2008 at 11:06 am
Também respeito a sua opinião, mas acho que tem espaço para todos.
“Regulamentação vai capar o crescimento de TI no Brasil.”
Um dos nossos maiores problemas é a falta de capacitação dos profissionais na área…Acho que com uma regulamentação a qualidade de ensino dos cursos também seria impulsionada…
“Uma empresa quer contratar um empregado competente e não um diploma” - concordo plenamente, mas porque não diferenciar os níveis?
Abração
abril 10th, 2008 at 11:53 am
Fábio,
““Regulamentação vai capar o crescimento de TI no Brasil.”
Um dos nossos maiores problemas é a falta de capacitação dos profissionais na área…”
Tai o X da questão. Eu estou cursando Engenharia da Computação e sinto na pele isso. 90% dos alunos, seja de qual ano for, não tem conhecimento prévio adequado e muitos sequer tem capacidade para um estágio. A universidade fornece a base ciêntifica da coisa, mas aprender mesmo, depende do aluno. Por melhor que seja a faculdade, o aluno é quem define se o curso vai ser bom ou não, e hoje, infelizmente, a maioria não está se esforçando como deveriam. Meu maior medo é que com uma lei dessa, esses futuros formados tenham privilégios. Veja bem, eu convivo com isso, é meu dia a dia. A maioria dos formandos em TI não tem capacidade. A maioria sequer trabalhou com TI antes de iniciar o curso, e não é raro encontrar aqueles que mal sabem ligar um computador fazendo um curso de sistemas de informação. Imagine esse povo formado e tomando conta das empresas e as empresas sem poder contratar um profissional bom, só porque ele não tem diploma? Sentiu o drama? Por acaso você vivencia o dia-a-dia de TI?Se sim, entendera muito bem o que eu disse.
Abraço.
abril 10th, 2008 at 2:24 pm
Opa Douglas! Se eu vivencio o dia-a-dia de TI? Eu sou formado em c. da computação, pós-graduado em engenharia de software… e meu amigo…acredite…Para quem leva o negócio a sério o curso faz diferença sim…
Como vc, eu também senti na pele o desinteresse dos alunos na universade e isso sempre vai existir…E como falei antes, quem tá no bolo n sai mais….então o que custa, quem ta começando agora levar o negócio a sério e fazer o curso? Vc falou bem quando disse que na faculdade aprendemos o lado científico da coisa…Agora a pessoa chega, aprende uma linguagenzinha feito delphhi(Nada contra a linguagem), e sai por aí dizendo que é analista de Sistema??? Desculpem, mas existe Analista e Analistas…
Abração
Abração
abril 10th, 2008 at 3:09 pm
Exato Fábio. Você falou tudo:
“Para quem leva o negócio a sério o curso faz diferença sim…”
O que não podemos é cair na falácia de pensar que quem
faz curso é porque leva TI a sério, mas sim que quem
leva TI a sério faz curso. Ou seja, nem todos que fazem curso
levam TI a sério, concorda? Por isso acredito que diploma não é
o melhor filtro para profissionais. Experiência, conhecimento e
dedicação contam mais.
Abraço
p.s. Tentei abrir o seu site e aqui está off.
abril 10th, 2008 at 3:21 pm
Concordo Douglas…Valeu mesmo pela discussão…
ps: tinha digitado o endereço errado…
Abraço
abril 15th, 2008 at 10:55 pm
amigo acho que vc esta equivocado quanto ao não precisar de diplomas. as faculdades não formam ninguem em nem uma profissão o cara é que se forma e se torna um bom profissional, das mesmas faculdades saem bons e mal profissionais, de acordo com o seu pensamento o curso de direito tambem não deveria ser pre-requisito para a advocacia!!! bastava apenas o cara conhecer a legislação!!! mas não é assim. a faculdade apenas encaminha o cara para a profissão se ele vai ser um bom profissional vai depender dele. é por esse tipo de pensamento que existem inumeros programas que so complicam a vida do usuario, feito sem conhecimento teórico estratégico planejamento analize.
fala serio eu comecei a trabalhar com informática aos quinze anos fiz varios cursos, fiz curso técnico e agora estou na faculdade, vendo os erros grosseiros que eu conetia por falta de conhecimento, ou por achar que ja sabia de mais…
a questão da legalização tambem envolve a responsabilidade que o profissional tem que ter ao exercer uma função existem muito malandros por ai se pansando por profissional e so fazem roubar os clientes e queimaro filme dos verdadeiros profissional…
abril 16th, 2008 at 7:03 am
Olá Helcias. Obrigado pelo comentário. Vamos por partes.
“as faculdades não formam ninguem em nem uma profissão o cara é que se forma e se torna um bom profissional, das mesmas faculdades saem bons e mal profissionais”
Faculdade de computação no Brasil não forma profissional algum, nem bom, nem ruim. Faculdade fornece apenas uma base científica. O cara se forma trabalhando mesmo.
“de acordo com o seu pensamento o curso de direito tambem não deveria ser pre-requisito para a advocacia!!! bastava apenas o cara conhecer a legislação!!! ”
Direito é uma profissão milenar. Há excesso de advogados no mundo e portando existe uma necessidade de controle, senão vira baderna. E outra, na faculdade de direito se estuda legislação mesmo, o cara pratica mais a profissão do que em uma faculdade de computação. Temos um deficit de profissionais em TI, o cenário é bem outro, se atente a isso.
“a faculdade apenas encaminha o cara para a profissão se ele vai ser um bom profissional vai depender dele.”
Mais uma vez, faculdade de computação no Brasil não fornece base prática em informática, mas sim base científica. Base prática apenas quando o cara começar a trabalhar.
“é por esse tipo de pensamento que existem inumeros programas que so complicam a vida do usuario, feito sem conhecimento teórico estratégico planejamento analize.”
Seguindo seu raciocionio sobre o curso de direito, também existem milhares de advogadas ruins, formados, com certificado AOB e tudo o que tem direito. O mesmo vai ocorrer com um profissional de TI. Formado ou não.
“fala serio eu comecei a trabalhar com informática aos quinze anos fiz varios cursos, fiz curso técnico e agora estou na faculdade, vendo os erros grosseiros que eu conetia por falta de conhecimento, ou por achar que ja sabia de mais”
Eu comecei como autodidata. Cometi alguns erros sim, mas não grosseiros e sempre fui reconhecido pela minha competência. Estou fazendo Engenharia da Computação e nada mudou em relação a isso.
“a questão da legalização tambem envolve a responsabilidade que o profissional tem que ter ao exercer uma função existem muito malandros por ai se pansando por profissional e so fazem roubar os clientes e queimaro filme dos verdadeiros profissional…”
Existe um mecanismo milenar, chamado Seleção Natural. Procure em seus livros de biologia que vai encontrar. Profissional ruim queima o seu próprio filme, seja ele formado ou não, e não recebe indicações, ficando fadado a falência.
Abraço.
junho 20th, 2008 at 6:04 pm
Gente,
A opinião de todos tem pontos positivos e negativos, mas vamos analisar o mercado nacional, vc imagina como o mercado para advogados ficou melhor depois da prova da OAB, ele barra um tanto de gente, ele faz o papel de dar valor pelo menso ao dinheiro e tempo que gastamos indo a faculade durante 5 anos, deixando vida social, filhos, casa para ir lá ralar, pagar, fazer provas, pensar, pelo menos um pouco.
Vamos ser sinceros a profissão é nova, por isso Eduardo Azeredo sendo Engenheiro pode atuar na área de TI na IBM como falaram, e tantos outros, fiz faculdade em 1998 todos meus professores eram matemáticos e engenheiros, e estes nõa serõa excluídos do mercado, mas a hora é agora, temos que dar valor aos esforços de cada um e desculpe as limitações financeiras, para eu ser médico tenho que fazer faculdade de medicina, para ser advogado tenho que fazer faculdade de direito, porque com a nossa profissão , basta estudar em casa, ler, ir a debates, comprar uma máquina e fazer um curso na esquina?
Acho que temos que apoiar este projeto sim.
Abraços a todos.
agosto 31st, 2008 at 7:19 pm
Típica baboseira hipócrita de quem se acha “profissional” da Informática só porque baixou alguns tutoriais na Rede.
Sou Bacharel em Ciência da Computação e, como muitos, vítima da “popularização” da área.
Você confiaria em um Dentista auto-didata? Um Médico? Advogado? Engenheiro Civil?
Já passou da hora de parar com esse tratamento da Informática como uma “profissão diferente”, em que qualquer um pode atuar.
Não comparemos a competência de um cidadão que passou anos no curso superior com algum moleque qualquer que ganhou um PC do pai.
setembro 1st, 2008 at 8:06 am
Caro Urko. Eu tenho mais de 5 anos de experiência na área de TI, ou seja, tive que estudar muito mais do que um simpes tutorial de rede na internet. Estou cursando Engenharia de Software, e, sinto de informar, mas o seu curso foi descontinuado, ou seja, está defasado. Se você fez mesmo um curso superior, deve saber melhor que eu, que muita gente, mesmo formada, não tem competência pra trabalhar na área. TI se aprende na prática, estagiando, trabalhando. Curso superior é bom sim, mas não pode servir como parâmetro único. Comparar TI, um setor em plena ascenção, com Direito, uma ciência plenamente solidificada, é no mínimo uma piada. São situações diferentes. Abra mão de sua visão arcaica. Um profissional de TI não pode ser assim.
abs.
dezembro 8th, 2008 at 2:39 pm
Já li um monte de sites e blogues com visão pró e contra.
Dessas todas opiniões, as que parecem mais interessantes e relevantes são as que promovem algum tipo de vislumbre sobre o impacto que isso acarretará na sociedade. Acredito que são essas que devem ser consideradas.
Vou procurá-las e montar um resumo aqui, e outros também se sintam convidado a essa tarefa, para tentar enriquecer a discussão, para não ficar no aspecto do “sobrinho que programa em Delphi/VB e eu tenho diploma”